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Projeto segue fortalecendo produção de borracha nativa no vale do Juruá

 

Fortalecer a cadeia de valor da borracha nativa é uma das ações realizadas pelo projeto Valores da Amazônia. Com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES, esta iniciativa tem levado a muitas famílias do Vale do Juruá oportunidade de aumento em suas rendas, além de promover a conservação dos recursos naturais.


Acontecem, por exemplo, entre os dias 18 e 25 de abril nas cooperativas Cooperafe em Feijó, Caet em Tarauacá, e Pushuã em Porto Walter, oficinas de Boas Práticas de Produção da Borracha Folha de Defumação Líquida (FDL). Na ocasião, serão entregues às cooperativas agroextrativistas de Feijó e Tarauacá, 40 kits para a produção FDL e mais 5 kits para a Pushuã.



Folhas de Defumação Líquida - Arquivo SOS Amazônia

A FDL é uma inovação tecnológica de produção da borracha beneficiada, desenvolvida pelo LATEQ da UnB e permite maior agregação de valor ainda dentro da floresta.


Com esta iniciativa, 45 famílias serão capacitadas e equipadas para dar continuidade às atividades de produção, utilizando desta técnica inovadora que beneficia o seringueiro no uso desta matéria-prima de qualidade e de baixo custo.


Wenderson Silva, técnico em Agroecologia da SOS Amazônia, fala sobre a importância na realização desses trabalhos. “Essa iniciativa do projeto Valores apresenta um significado imenso para as comunidades, pois, está levando novas oportunidades de trabalho com a borracha e um complemento de renda, sem contar sobre o reconhecimento do seringueiro que por muito tempo ficou esquecido e excluído da sociedade”, afirma.


O presidente da Caet, Adson Benigno, informa que essas ações servem como fortalecimento e incentivo a conservação de florestas, rios e igarapés da região, além de instigar as pessoas que há muitos anos trabalham com o extrativismo da borracha nativa.


“Em razão desses investimentos, mais 20 famílias vão passar a trabalhar com a borracha aqui em Tarauacá. Sabemos que falta ainda produção para atender o que o mercado espera, mas isso é um importante avanço. A solução é incentivar mais as pessoas a produzirem e investir na instalação de mais unidades”, observa o presidente.


Vinte Unidades de Produção e Secagem da borracha FDL foram construídas pelo projeto só em Tarauacá, e hoje, a Caet conta com 68 seringueiros trabalhando na produção de FDL e Cernambi Virgem Prensado (CVP). “Com o apoio do Valores da Amazônia, a intenção é ampliar o número de pessoas para trabalhar com a borracha, ” comenta Adson.


De acordo com o coordenador geral do Valores, Álisson Maranho, ainda há necessidades de melhoria na fase de produção, especialmente dedicadas na eficiência e durabilidade de alguns equipamentos que são utilizados durante a confecção da folha defumada, como é o caso da calandra*.


Atualmente, no Acre, a produção de FDL é concentrada nos municípios de Assis Brasil, Feijó e Tarauacá e são comercializados, principalmente, para uma empresa francesa de fabricação de calçados sustentáveis, a VERT Shoes e para fabricação de outros produtos, como a Mercur.


Em 2016 o valor pago pela VERT para a borracha selvagem brasileira (FDL) foi acordado em R$ 9,50/kg um preço quase 30% superior ao pago para a borracha comum plantada de São Paulo (trecho retirado do site da VERT Shoes).


*A calandragem é um dos processos de transformação da borracha utilizados na produção de FDL.


Por Deylon Félix | Edição: Eliz Tessinari

Foto destaque: Paulo Ricardo/Acervo SOS Amazônia