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Mais de 200 famílias foram beneficiadas em 2020 com o projeto “Conservando floresta, produzindo borracha”.

Mesmo com pausa nas atividades de assistência técnica, a SOS Amazônia fez um levantamento da produção de borracha para saber o quanto estava sendo produzido durante a pandemia da Covid19. E auxiliou as atividades com a produção de conteúdo de comunicação para veiculação em rádios da região.


A SOS Amazônia realizou, em parceria com o Partneships For Forest (P4F) e a empresa de calçados VEJA Fair Trade ou VERT, como é conhecida no Brasil, o projeto “Conservando floresta, produzindo borracha”. A iniciativa teve por objetivo Fortalecer a cadeia de valor da Borracha Cernambi Virgem Prensado (CVP) no Acre, com foco na geração de trabalho e renda para os extrativistas, mantendo a floresta em pé.

Iniciado no ano de 2019, o projeto envolveu mais de 200 famílias, residentes nos municípios de Feijó, Jordão, Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo e nas Unidades Conservação Resex Alto Juruá, Alto Tarauacá, Flona São Francisco e Flona Macauã, além de um projeto de Assentamento.

Por causa da pandemia, os extrativistas ficaram sem assistência técnica durante cinco meses. Contudo, a produção de borracha não parou. Por meio de anúncios em rádios da região, a SOS Amazônia e parceiros incentivaram a extração de látex, assegurando a compra da matéria-prima produzida. Além de veicular spots de conscientização contra o coronavírus.
Depois da construção de protocolos de segurança, aos poucos, a instituição retomou suas atividades de campo. O protocolo conta com medidas protetivas que foram adotadas nas visitas técnicas dentre elas: o uso de máscaras e álcool em gel para uso pessoal e dos beneficiários.

Todos esses esforços geraram bons resultados. Ao todo, foram seis cooperativas engajadas no projeto; Assexma/Cooperiaco, Caet, Coapex, Cooperafe, Coopercintra, Coopersonhos. A estimativa de produção e de 69 mil quilos de borracha CVP até o final 2020, distribuídas entre as 200 famílias beneficiárias do projeto e distribuídos entre os rios Baje e Tejo, na Reserva Extrativista Alto Juruá. O preço da borracha chega a R$8/Kg.

O corte da seringa é uma ação cultural passada de geração a geração em muitas famílias que vivem na zona rural. Desde pequenos, eles aprendem a viver em harmonia com o que a floresta proporciona.


“A borracha é sem dúvidas uma grande alternativa de renda, além do preço, o esforço direcionado a produção é muito mais baixo, permitindo um melhor planejamento das atividades da unidade familiar além de uma maior fonte de renda. E ver a felicidade de pessoas que estão a dias de viagens de uma zona urbana, voltando a fazer o que realmente gostam, porque é visível neles, é um pouco da nossa missão: fazer ressurgir nos extrativista o valor e a importância da floresta em pé e a preservação da floresta. E o caminho é esse: fortalecer essa cadeia, garantindo um preço justo aos extrativistas”, disse Thayna Souza, executiva ambientalista da SOS Amazônia.

Jobson Menezes, auxiliar administrativo da Coopersonhos, falou um pouco sobre como foi a experiência de realizar o trabalho no período pandêmico.


“Vem sendo muito animador, os extrativistas estão muito felizes com o resultado do corte de seringa, muitos deles cortaram quando ainda eram crianças. A princípio quando começou a pandemia muitos dos extrativistas ficaram com receio de não vender a produção, mas a SOS Amazônia e a Coopersonhos sempre tiveram juntos aos extrativistas dando todo suporte necessário”, conta.

O pagamento da borracha é realizado na sede das cooperativas. O extrativista chega com a borracha que é pesada e paga imediatamente.


Saiba mais sobre o projeto clicando aqui: Extrativismo familiar: Fortalecendo a cadeia de valor da borracha CVP


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