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Famílias da comunidade Novo Horizonte realizam colheita do cacau silvestre

Notícia
Em pleno inverno amazônico, período de chuvas intensas na região, 12 famílias da comunidade Novo Horizonte, às margens do rio Juruá, no Amazonas, se dedicam à colheita do cacau silvestre. Até o momento, foram coletados aproximadamente 6.300 frutos, o que deve resultar em cerca de 150 quilos de amêndoas beneficiadas na própria comunidade.

Neste ano, a produção é oriunda exclusivamente de frutos cultivados em sistemas agroflorestais (SAFs), a partir do trabalho de regeneração de áreas degradadas, conduzido pela SOS Amazônia. O cacau silvestre, nativo na região, não apresentou safra significativa devido às oscilações naturais de desenvolvimento na floresta.
Com a cheia do rio Juruá e a ocorrência de áreas alagadas, os produtores percorrem o trajeto de canoa até as áreas de cultivo. O trabalho exige esforço extra: é preciso arrastar embarcações em trechos de terra firme, lidar com a lama no período de vazante e superar outras dificuldades impostas pela estação das águas. Após a colheita, o processo segue com a quebra dos frutos, seleção das amêndoas e fermentação.
A cadeia produtiva do cacau, seja nativo ou cultivado, representa uma importante fonte de renda para as famílias extrativistas, fortalecendo um arranjo comercial que envolve diferentes etapas até a venda final. No entanto, segundo o produtor Osmir Andriola, o cenário atual do mercado é desafiador.

Ele critica a concorrência com produtos importados que entram no país com baixa tributação, o que pressiona os preços do produto local e dificulta a cobertura dos custos de produção. Ainda assim, Osmir destaca que a safra deste ano já tem comercialização definida. “Nosso cacau é diferenciado”, afirma o produtor.
A SOS Amazônia é parceira da comunidade Novo Horizonte, oferecendo assistência técnica e apoio na implementação dos sistemas agroflorestais. Para Osmir, a atuação da ONG foi fundamental para fortalecer a produção e gerar alternativas econômicas sustentáveis. Ele ressalta que a iniciativa demonstra, na prática, que as famílias ribeirinhas podem obter renda a partir dos produtos da floresta em diferentes períodos do ano.

O potencial do cacau já havia sido identificado pela instituição em 2015, por meio do projeto Valores da Amazônia. A iniciativa buscou estruturar e integrar cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros, como cacau silvestre, borracha nativa e óleos vegetais, apoiando diversas famílias no fortalecimento de suas atividades produtivas.