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Regeneração florestal: os benefícios da agrofloresta

2026-03-04 13:16 Notícia
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do sistema Prodes, foi monitorado um desmatamento de 5,796 km² na Amazônia, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Dentre as causas da derrubada de vegetação, uma que se destaca é a agropecuária, que por sua produção extensiva, ocupa grande área desmatada.

A atividade resulta na degradação do solo, causado pela retirada da vegetação natural e redução de seus nutrientes, na contaminação do solo, lençóis freáticos e rios, pelo uso de agrotóxicos. Além disso, o deslocamento de grandes rebanhos causa a compactação do solo, que dificulta a entrada de água e ocasiona erosões. Outras consequências observadas são a perda da biodiversidade, devido ao desmatamento, além de favorecer as mudanças climáticas pela emissão de gases como metano provindo do gado, óxido nitroso pelo uso de fertilizantes e o gás carbônico oriundo das queimadas.

Porém, existe a opção de produzir sem causar tantos impactos negativos na natureza, por meio dos sistemas agroflorestais (SAFs). Através desse tipo de plantio, é possível fazer o cultivo de alimentos e/ou criação de animais, e ainda ajudar na recuperação do solo e preservação ambiental.

Agrofloresta é uma estratégia de plantio que associa espécies de plantas frutíferas e florestais para criar um sistema integrado de produção de alimentos, ao mesmo tempo em que restaura os nutrientes do solo e recupera a cobertura vegetal. Essa é uma alternativa de produção que gera alimentos e matérias-primas, proporciona renda para famílias e comunidades e colabora para a regeneração ambiental.
Foto: Talita Oliveira
A engenheira agrônoma Suzy Anne Araújo explica que a agrofloresta apresenta vários benefícios, tanto de ordem ambiental como social e econômico. “A agrofloresta proporciona o aumento da biodiversidade, a melhoria da fertilidade e estrutura do solo, o aumento da matéria orgânica e ciclagem de nutrientes, a redução da erosão e o aumento da infiltração de água do solo”, destaca. Dentre outras vantagens, a agrônoma acrescenta a promoção do sequestro e armazenamento de carbono na biomassa e no solo, referente ao aspecto natural.

Já no contexto socioeconômico, o modelo de plantio promove a segurança alimentar e a diversificação nutricional das famílias. “A agrofloresta estrutura cadeias da sociobiodiversidade e diversifica a produção e gera renda ao longo do ano, valorizando os conhecimentos tradicionais e fortalece as comunidades; e movimenta as cadeias da sociobiodiversidade”, completou Suzy.
A adoção de sistemas agroflorestais se mostra uma atitude relevante quando se leva em consideração o cenário de emergência climática, degradação ambiental e necessidade de alternativas de desenvolvimento sustentável. “A importância da agrofloresta reside na diminuição na pressão por desmatamento ao tornar produtivas áreas já abertas como uma ferramenta eficaz de restauração produtiva; contribui para metas de neutralidade de carbono e restauração florestal e fortalece a agricultura familiar e economias locais”, destacou a engenheira agrônoma.
Foto: Layla Fotografia
Restauração florestal
Um dos aspectos do trabalho da SOS Amazônia é promover a restauração florestal, e utiliza, principalmente, a agrofloresta como ferramenta para ocasionar a regeneração da paisagem verde e, ao mesmo tempo, gerar benefícios econômicos, segurança alimentar e nutricional para comunidades envolvidas, proporcionando auxílio técnico e viabilizando a construção de viveiro comunitários.

Para potencializar as atividades, em 2024, foram construídos 52 viveiros comunitários, que, juntos, produziram cerca de 900 mil mudas de espécies florestais, palmeiras e frutíferas. Com atuação em 13 municípios - 55 comunidades e duas terras indígenas - foram plantadas 827 mil mudas pelas famílias parceiras, em uma área total de 563 hectares que estão em processo de regeneração.
Além dos viveiros comunitários, para incrementar a produção de mudas e atender a demanda do programa de Restauração Florestal, a SOS Amazônia possui um viveiro institucional, localizado na zona rural do município de Capixaba, no Acre, que tem a capacidade de produzir 450 mil mudas por ano.

Além disso, a ONG também possui uma campanha de conscientização ambiental, Soul Amazônia, que dentre seus objetivos promove a regeneração florestal de uma área de três hectares. Com uma doação mensal a partir de 29 reais, é possível contribuir para a transformação dessa área de pastagem em floresta e fortalecer a missão institucional da ONG.