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Opinião

31 anos da morte de Chico Mendes

Por Miguel Scarcello - Diretor executivo da SOS Amazônia

No domingo, 22 de dezembro, pouco foi lembrado o assassinato de Chico Mendes, ocorrido em 1988. Como seringueiro e ativista, foi morto aos 44 anos de idade, em Xapuri, por defender os direitos dos extrativistas pela posse das suas colocações e conservação das estradas de seringa e castanheiras, por proteger a floresta e incentivar a economia florestal. Como ele, por esses motivos, outros foram assassinados no Acre, como Wilson Pinheiro e Ivair Higino.

Isso ocorreu no momento em que a nova política de integração da Amazônia, conduzida pela ditadura militar, entre 1964 em 1985, avançava implantando o novo modelo de desenvolvimento, baseado numa leitura errada da floresta e do seu povo: defendia que a região era um vazio demográfico e que desmatar era o caminho para integrar.

O equívoco proposital ignorava a existência dos povos indígenas e seus modos de vida, residentes aqui há mais de dois mil anos, com centenas de etnias, bem como a população de seringueiros e extrativistas que vieram ocupar a região para extrair a borracha, desde os anos 1800. E também desconhecia e ignorava a biodiversidade existente, demonstrando uma visão de futuro socialmente injusta, com prosperidade para poucos, tanto para as próximas gerações, quanto para o papel do Brasil na economia mundial. Por isso que estamos assim hoje.

No Acre, os seringueiros estavam aqui, a exemplo dos povos indígenas, antes de existirem fazendas. Tinham suas posses, pois moravam na floresta há mais de 50 anos. Por isso surgiram os empates, movimento pacifico dos seringueiros para evitar que os desmatamentos dos seringais avançassem, acabando com o direito de posse da terra.

Por essa resistência e enfrentamento pacífico, Chico Mendes foi premiado, em 1987, pela ONU, com o prêmio GLOBAL 500, outorgado a pessoas defensoras da natureza. Ele denunciou o modelo de desenvolvimento predatório, resultado de investimentos dos bancos de desenvolvimento, como o banco mundial e o banco interamericano, e, principalmente as consequências como a destruição da floresta, as injustiças com os extrativistas e o genocídio de várias etnias e povos indígenas. Ou seja, sua atitude se baseava nas palavras e não nas armas. 
Chico também ajudou a fundar a SOS Amazônia, instituída em 30 de setembro de 1988.

Este ano, acompanhamos uma série de declarações de gestores públicos e parlamentares, e alterações promovidas pelo poder executivo, que passam o entendimento de que a lógica antiga de imposição de valores e investimentos poderá voltar. Isso é um anuncio preocupante e perigoso para conservação da floresta e fortalecimento das populações tradicionais. Em momentos como esse, o melhor é resgatar as ideias e a forma de agir de Chico, e promover o diálogo.

Em 2020, devemos buscar a construção de acordos e fazer com que as pessoas envolvidas com a bioeconomia, percebam e recebam resultado econômico do grande trabalho que é desenvolver a Amazônia mantendo a floresta em pé. 

#VemReflorestar Doe e faça florescer floresta