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SOS Amazônia: retrospectiva 2022

Assim como uma árvore não se sustenta sem suas raízes, nossa atuação do presente está conectada às nossas origens, à nossa essência. A luta pela conservação da floresta é uma causa que transcende fronteiras e ganha protagonismo global. Da floresta vem o nosso trabalho, nosso sustento, nossas águas, nossa inspiração e pela floresta lutamos.

Nosso sincero agradecimento a cada um que se conecta para ajudar a Amazônia: parceiros, comunitários, conselheiros, associados, doadores, voluntários, seguidores e todas as pessoas que nos acompanham... 

Somos Amazônia.

Confira, a seguir, 22 motivos para relembrar a atuação da SOS Amazônia no ano que passou. E ainda um bônus para festejar a chegada de 2023:


1º - Nova identidade visual
Três décadas depois de sua fundação, a SOS Amazônia revisitou sua primeira identidade visual e apresentou uma nova marca com a proposta de conectar o passado e o presente. Essa transição foi norteada por uma palavra: resgate! Por isso, a nova marca volta a ter os cortes da seringueira, em traços que também estão presentes em toda a natureza, no formato de uma flor, no encontro de dois rios, no emaranhado das árvores, no desenho de um animal…


2º - Equipe
Em 2022, a equipe da SOS Amazônia cresceu e se fortaleceu. Novos integrantes passaram a compor os diferentes projetos da ONG, trazendo ainda mais alegria, criatividade e profissionalismo à nossa missão. Contabilizamos agora mais de 40 colaboradores. Que time!


3º - Aliança
Fruto de parceria entre SOS Amazônia, Comissão Pró-índio do Acre e Instituto Catitu, o Projeto Aliança envolve povos indígenas e extrativistas em defesa das florestas do Acre, por meio de ações de proteção e monitoramento territorial. O projeto tem atuação direta em nove Terras Indígenas e três Unidades de Conservação, que abrigam uma das mais ricas biodiversidades do mundo. Além dos benefícios ambientais, como a mitigação das mudanças climáticas, o Aliança fortalece a segurança alimentar de comunidades tradicionais e o empoderamento de jovens e mulheres.


4º - Nossabio
O projeto fortalece a governança e a gestão comunitária em Unidades de Conservação e desenvolve cadeias produtivas sustentáveis a partir de produtos da sociobiodiversidade, como açaí, cacau silvestre, borracha, artefatos de madeira e ecoturismo. Em 2022, foi realizado um seminário de avaliação intermediária do Nossabio, que contou com a participação de representantes de associações comunitárias que são parceiras no desenvolvimento do projeto em quatro Unidades de Conservação: Resex Chico Mendes, Resex do Cazumbá Iracema, Flona Macauã e Flona São Francisco. O projeto compõe o Legado Integrado da Região Amazônica, programa brasileiro de conservação idealizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), com recursos do Fundo Amazônia e da Fundação Gordon e Betty Moore.


5º - Mulheres da Borracha
Com o objetivo de ampliar a consciência das mulheres sobre a importância de sua participação na produção de borracha, a SOS Amazônia, o Instituto de Desenvolvimento Social (IDS) e a empresa Vert realizaram oficinas e ações multiplicadoras com mulheres residentes em comunidades do Acre que fornecem látex para a Vert, empresa francesa que utiliza borracha nativa para a produção de calçados. A produção de borracha sustentável é de origem familiar, ou seja, as mulheres também estão envolvidas nas diversas etapas da cadeia produtiva, desde o corte até a comercialização. O roteiro metodológico das oficinas incluiu atividades lúdicas, dinâmicas de grupo e apresentações artísticas com o objetivo de promover a troca de experiências, despertar a autovalorização e empoderar as mulheres nos diferentes espaços de atuação em que ela ocupa, seja na família, na cooperativa, no movimento social ou na cadeia de valor da borracha.


6º - Quelônios do Juruá
O queridinho voltou! Após cinco anos sem execução, por falta de recursos, o projeto Quelônios do Juruá retomou suas atividades para conservação dos “bichos de casco”, que formam um grupo de animais que inclui a tartaruga, o tracajá e o iaçá. Essas espécies estão ameaças pela caça predatória e pela coleta de ovos para venda ilegal. Com o objetivo de aumentar a população de quelônios, a SOS Amazônia realiza o manejo participativo comunitário, com ações de educação ambiental, treinamento de famílias ribeirinhas, vigilância das praias ameaçadas, cuidados com os filhotes após o nascimento e posterior soltura em áreas seguras. Em 2022, foram treinados 28 monitores nas Resex Juruá e Riozinho da Liberdade, e na Comunidade Carlota, em Cruzeiro do Sul. Como resultado, cerca de 1.028 filhotes de quelônios foram devolvidos à natureza em 29 praias monitoradas.

Foto André Dib

7º - Observatório Socioambiental do Acre
O Observatório foi criado com o objetivo de monitorar e difundir informações sobre a agenda de políticas públicas relacionadas à conservação e gestão ambiental. É uma realização do Projeto Harpia e conta com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS). Nas Eleições de 2022, o Observatório elaborou um guia anti-fake news para alertar a população sobre a propagação de notícias falsas e fez uma avaliação do perfil dos candidatos a governador do Acre. Também foi feito um levantamento da destinação das verbas parlamentares dos deputados federais em exercício. Buscando fortalecer a consciência política dos jovens e engajar no movimento do Voto Verde, em defesa da Amazônia, a equipe do Observatório incentivou e orientou estudantes das Resex Alto Tarauacá e Riozinho da Liberdade a tirar o primeiro título de eleitor.

Foto: André Dib e Maíra Santos

8º - Faça Florescer Floresta
Criado em 2015, o projeto promove a recuperação de áreas degradadas, incluindo o entorno de nascentes, com a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), isto é, o cultivo consorciado de espécies florestais, frutíferas e de palmeiras de interesse ecológico e econômico. Desce sua criação, conta com o apoio de doações espontâneas e de empresas e organizações como a The Caring Family Foundation, Nike, One Tree Planted, Conservação Internacional e PMI Worldwide, dentre outras. Até 2025, a proposta é beneficiar diretamente 840 famílias com o plantio de um milhão e seiscentas mil mudas. A recuperação de áreas degradadas, conforme a densidade do plantio, comporta de mil a duas mil e quinhentas espécies por hectare. O trabalho de restauração é realizado em estreita parceria com os beneficiários do projeto, residentes em comunidades ribeirinhas e extrativistas, projetos de assentamento e Unidades de Conservação. Além das espécies florestais, as famílias podem incrementar os SAFs com a inserção de espécies agrícolas, como milho, feijão, banana e macaxeira.

Foto: Gustavo Dantas

9º - Fitoterápicos da Amazônia
Com o Projeto Fitoterápicos da Amazônia, a SOS Amazônia, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, busca fortalecer o setor de plantas medicinais em organizações representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais ou agricultores familiares no bioma Amazônia. Ao todo, recebem apoio quatro organizações, localizadas nos estados do Amapá e Pará, que comercializam plantas medicinais ou derivados. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o projeto oferece assessoramento técnico e administrativo às organizações para ampliar as relações comerciais e conquistar a certificação agroecológica.


10º - Brigadas Amazônia
O projeto atua em comunidades rurais e extrativistas, dialogando com comunitários sobre a importância de reduzir o uso do fogo na agricultura, principalmente na abertura de roçados. Também realiza ações de conscientização ambiental, como cursos e oficinas, para o resgate de fauna afetada por incêndios e queimadas. Em 2022, efetuou a entrega de uniformes para 50 brigadistas voluntários, que atuam diretamente no combate ao fogo e deu início à elaboração de um formulário que será disponibilizado em aplicativo para monitoramento comunitário e registro de animais afetados pelo fogo. No período crítico de queimadas, entre os meses de junho e setembro, a SOS Amazônia recebeu uma equipe de filmagem da BBC de Londres para captação de imagens da fauna silvestre. O Brigadas Amazônia conta com o apoio de doações espontâneas. Apoie este projeto. 


11º - Amuralha
A Associação de Mulheres Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor (Amuralha), estruturada com apoio da SOS Amazônia e da Fundação Meriuex, está localizada na comunidade de Nova Cintra, no município de Rodrigues Alves. Reúne 42 mulheres que trabalham com a produção e comercialização de sabonetes de copaíba, açaí, andiroba, buriti, patauá, dentre outros produtos da floresta. Está em processo de desenvolvimento de uma nova fórmula de sabonetes, com potencial de alcançar um mercado ainda mais amplo.

Foto: Gustavo Dantas

12º - Viagens e deslocamentos
Faça chuva ou faça sol, equipes da SOS Amazônia estão em campo para fortalecer atividades produtivas sustentáveis em Unidades de Conservação, projetos de assentamento e comunidades tradicionais. Seja de carro, barco, moto, quadriculo ou até mesmo a pé, os técnicos se embrenham pela floresta e chegam até comunidades ribeirinhas, extrativistas e de agricultores familiares. Em 2022, a atuação da SOS Amazônia foi predominante no estado do Acre, com ações pontuais no Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia.


13º - Assistência técnica
O trabalho de assistência técnica e extensão rural e florestal (ATERF) é um dos pilares da SOS Amazônia, porque orienta o desenvolvimento das atividades de campo para a adoção de boas práticas, a fim de garantir o alcance de objetivos econômicos e ambientais dos projetos. A base deste trabalho está no repasse de informações técnicas aos produtores e extrativistas, em contato imediato com as famílias, o que proporciona um espaço de compartilhamento e troca de saberes que potencializa a produção dos territórios.

Foto: Gustavo Dantas

14º - Construção de viveiros comunitários
Para garantir o sucesso das ações de restauração florestal e facilitar a logística em locais de difícil acesso, a SOS Amazônia constrói viveiros comunitários para potencializar a produção de mudas. O objetivo é empoderar as famílias para que elas possam ter condições de ampliar suas áreas de restauração e consigam diversificar a produção com espécies de interesse ecológico e econômico, possibilitando a comercialização do excedente em feiras locais.


15º - Selo Doar de Transparência
Após minucioso processo de auditoria do Selo Doar Critérios 2020-23, a SOS Amazônia foi aprovada em 48 dos 52 quesitos de avaliação disponíveis e foi certificada com o Selo Doar A+ de profissionalismo e transparência. Isso significa que a SOS Amazônia passa a fazer parte de um seleto grupo de organizações brasileiras certificadas de forma independente que alcançaram o padrão mínimo de qualidade definido pelo Instituto Doar, baseado nos principais modelos de certificação internacionais para organizações da sociedade civil.

Foto: Maíra Santos

16º - Jovens protagonistas
Cerca de 75 jovens participam do curso Protagonismo Jovem nas Reservas Extrativistas do Acre, que prevê a formação continuada de estudantes vinculados à Resex Alto Juruá, Resex Alto Tarauacá e Resex Riozinho da Liberdade. O objetivo do curso é proporcionar formação cidadã, crítica e reflexiva de jovens lideranças de Unidades de Conservação, buscando fortalecer a organização social dos territórios e o empoderamento da juventude em relação aos seus modos de vida. Entre os temas abordados, estão identidade extrativista, cadeias produtivas e sociedades sustentáveis. O curso é fruto de parceria entre a SOS Amazônia, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas e o Comitê Chico Mendes.


17º - Monitoramento ambiental
No âmbito do projeto Aliança pelas Florestas do Acre, a SOS Amazônia promove o monitoramento comunitário a partir de ferramentas digitais, que ajudam a identificar e compreender as principais ameaças aos territórios, como caça, fogo, desmatamento e invasão. Esse tipo de monitoramento também auxilia a comunidade no processo de tomada de decisão para governança e planejamento participativo, e ainda fortalece o sentimento de pertencimento dos comunitários sobre os próprios territórios. Em campo, técnicos da SOS Amazônia e moradores de Unidades de Conservação, vinculados ao Projeto Aliança, utilizam o aplicativo ODK para monitoramento de pressão e ameaças, e para facilitar a gestão territorial e ambiental nas três Reservas Extrativistas de atuação do projeto: Resex Alto Juruá, Resex Alto Tarauacá e Resex Riozinho da Liberdade.


18º - Produtos da sociobiodiversidade
Temos um olhar especial para os produtos florestais não madeireiros. Açaí, borracha nativa, cacau silvestre e murumuru são algumas das cadeias de valor estruturadas pela SOS Amazônia. Além de fomentar a economia florestal, o desenvolvimento dessas cadeias produtivas promove a conservação da biodiversidade e gera trabalho e renda nas comunidades. Os desafios nessas cadeias de valor são muitos: é preciso garantir maior investimento em infraestrutura, em tecnologia, empoderamento das comunidades, desenvolvimento de habilidades e conhecimento, boas práticas de produção, cooperativismo e relação com o mercado consumidor mais qualificado e justo. Nos próximos anos, a SOS Amazônia pretende ampliar o número de famílias beneficiadas e diversificar os produtos da floresta para comercialização sustentável. Dessa maneira, teremos mais hectares de floresta manejada e conservada.


19º - Campanha SOS Reciclagem
A campanha tem por objetivo promover a educação ambiental sobre a correta destinação dos resíduos sólidos recicláveis. A ideia começou a ser colocada em prática em fevereiro de 2013, por meio de uma campanha experimental para separação e descarte seletivo de materiais recicláveis. Atualmente, a campanha é realizada na sede da SOS Amazônia, em Rio Branco, onde as pessoas podem destinar embalagens plásticas, alumínio e pilhas.


20º - Visita da atriz Bruna Linzmeyer
Ainda colhendo os frutos do sucesso de sua personagem na novela Pantanal, a atriz Bruna Linzmeyer se enveredou ainda mais pelo interior do Brasil e chegou à Amazônia, a convite da Nike, para conhecer de perto o trabalho de recuperação florestal desenvolvido pela SOS Amazônia. A programação incluiu uma visita à Comunidade Carlota, em Cruzeiro do Sul, para conhecer o manejo comunitário e a soltura de quelônios. Depois, seguiu para a Comunidade Novo Horizonte, em Guajará, onde pode provar o cacau silvestre da Amazônia, atividade extrativista que tem impulsionado a economia de muitas famílias. Por fim, Bruna esteve na Comunidade Maloca, em Mâncio Lima, onde conheceu o casal Cleidiane Silva e Amilton Nascimento, que pretende recuperar quatro hectares com a implantação de Sistemas Agroflorestais. Durante a visita, a atriz teve a oportunidade de plantar uma espécie nativa da Amazônia. Em parceria com a Nike, a SOS Amazônia pretende recuperar de 200 hectares de floresta até 2025.

Foto: Gustavo Dantas

21º - Parceiros comunitários 
Toda a atuação da SOS Amazônia é desenvolvida em parceria com comunidades tradicionais, como ribeirinhos e extrativistas, agricultores familiares, povos originários, moradores de projetos de assentamento e Unidades de Conservação, como as Reservas Extrativistas Chico Mendes, Cazumbá-Iracema, Riozinho da Liberdade, Alto Juruá e Alto Tarauacá, Florestas Nacionais do Macauã e São Francisco e Parque Nacional da Serra do Divisor, entre outras.

Foto: Gustavo Dantas

22º - Melhor ONG do Acre
Para fechar 2022 com chave de ouro, a SOS Amazônia figura entre as 100 melhores ONGs do país, em premiação realizada pelo Instituto Doar, O Mundo que Queremos e Ambev VOA. Por sua atuação em defesa da conservação ambiental na Amazônia, por meio do desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis e do acompanhamento de políticas públicas ambientais, a SOS Amazônia recebe pela terceira vez este reconhecimento. O primeiro título foi concedido em 2017 e, de lá para cá, a Associação buscou fortalecer sua imagem institucional, aprimorando mecanismos internos de administração, planejamento e transparência.

Foto: Gustavo Dantas

E comemorando a chegada de 2023...

23º - Plataforma de doação de árvores
Em parceria com a Doare, a SOS Amazônia lançou uma plataforma de plantio de árvores que possibilita a captação de recursos que serão destinados à recuperação de áreas degradadas, incluindo o entorno de nascentes. Com o site Faça Florescer Floresta, é possível doar espécies florestais, frutíferas e de palmeiras de maneira simplificada e com preços acessíveis, que variam de 12 a 25 reais por muda. E a plataforma ainda tem um diferencial! Além de doações individuais, é possível criar uma campanha personalizada, seja como pessoa física ou jurídica. Com apenas alguns cliques, qualquer pessoa pode plantar uma árvore na Amazônia, proporcionando benefícios ecológicos e econômicos para comunidades ribeirinhas e extrativistas, projetos de assentamento e Unidades de Conservação.

Foto: Gustavo Dantas

Juntos florescemos.

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