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SOS Amazônia divulga Relatório de Atividades de 2024

Ano após ano, o meio ambiente sofre ameaças constantes, que colocam em risco o equilíbrio ecológico do planeta. Em 2024, a média da temperatura mundial ultrapassou 1,5°C do nível pré-industrial, segundo informações do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Isso significa que vivenciamos o ano mais quente já registrado pela humanidade.

Já o monitoramento de queimadas no Brasil, realizado pelo MapBiomas, revela que a Amazônia Legal perdeu 11,8 milhões de hectares de floresta, sendo o bioma mais afetado pela prática ilegal de uso do fogo.

Trabalhar frente a essas ameaças é um desafio que a SOS Amazônia enfrenta diariamente, buscando resistir para proteger a floresta, seus povos, seus modos de vida e sua biodiversidade. Por meio de seus projetos e com o apoio valioso de seus parceiros, sejam comunitários, institucionais ou associados, é possível manter sua atuação fortalecida e a comprovação de seus resultados está disponível no Relatório de Atividades de 2024.

Miguel Scarcello, secretário-geral da SOS Amazônia, considera que o conjunto das atividades desenvolvidas ao longo do ano contribui para o enfrentamento à crise climática, aos eventos extremos e suas consequências para o meio ambiente. “Diante desse cenário ameaçador, buscamos consolidar iniciativas que possam favorecer a manutenção da floresta em pé, a recuperação de áreas degradadas, a conservação da biodiversidade e a valorização de comunidades tradicionais”, afirma.
Programa Restauração da Paisagem Florestal

As atividades do Programa de Restauração da Paisagem Florestal estão concentradas no projeto Faça Florescer Floresta, criado com o objetivo de recuperar a cobertura do solo em áreas degradadas, por meio da implantação de sistemas agroflorestais (SAF). Esse método consiste no plantio consorciado de árvores de espécies florestais, frutíferas e palmeiras, que possibilita a recuperação do solo, bem como o alcance de benefícios sociais e econômicos nas comunidades envolvidas.

Além de árvores plantadas, os resultados do projeto envolvem muitos outros fatores. Esse trabalho inclui a capacitação das famílias sobre os modelos dos SAFs, boas práticas de cultivo e produção de mudas, incentivo à inserção de mulheres e jovens nas atividades produtivas, produção de renda para as famílias participantes e construção de viveiros comunitários.

Mais do que transformar pastagem em floresta, o programa de restauração também proporciona a recuperação de nascentes, como foco no aumentando do nível das águas, principalmente, em épocas de seca. O plantio de agrofloresta também fortalece a segurança alimentar das famílias parceiras, além de despertar a mobilização e sensibilização ambiental em todas as pessoas envolvidas.
Programa Áreas Protegidas e Conservação da Biodiversidade

Com o objetivo de conservar e proteger as florestas e seus meios de vida, o programa Áreas Protegidas e Conservação da Biodiversidade envolve projetos que incluem esse propósito. A atuação compreende atividades de melhoria de gestão de recursos naturais em áreas protegidas, pesquisas sobre desenvolvimento sustentável, proteção de fauna, educação ambiental e políticas públicas em prol de Unidades de Conservação. Confira os projetos executados nessa área programática.
Projeto Aliança pelas Florestas do Acre
Com o objetivo de fortalecer uma gestão territorial integrada de Terras Indígenas e Unidades de Conservação, foi criado o Projeto Aliança pelas Florestas do Acre. Sua atuação gira em torno de quatro conceitos principais: fortalecimento institucional das organizações tradicionais, garantia do manejo ambiental e territorial dos povos da floresta para defesa de seus territórios, ampliação de áreas de produção agroflorestal e, por fim, fortalecimento da equidade de gênero, juventude e cultura dos povos tradicionais.

Para alcançar os objetivos do projeto, diversas atividades são desenvolvidas. Dentre elas, o curso Jovens Protagonistas, formação que integra a juventude das comunidades para que possam ocupar lugares de liderança e participação. Também foram promovidas as Oficinas de Apresentação e Validação do Plano de Ação para Gestão Integrada nas Reservas Extrativistas, favorecendo a identificação de ameaças e a melhoria da gestão dos territórios.

Essas são algumas de várias ações realizadas e que trouxeram uma significativa mudança na realidade das comunidades. Os jovens puderam aprender a desenvolver habilidades de comunicação para divulgar temas importantes de suas comunidades. Houve a formação de novos monitores ambientais para monitoramento ambiental e coleta de dados. Oficinas de comunicação e edição de vídeo deram habilidades para mulheres extrativistas mostrarem sua história.

Projeto Amuralha
Buscando a inserção social e produtiva das mulheres em zonas rurais, surgiu a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor (Amuralha), em 2005, na comunidade Nova Cintra, Rodrigues Alves, Acre. A parceria com a SOS Amazônia iniciou em 2015, para fortalecer os processos de produção e comercialização dos produtos.

Atualmente, a produção é focada em sabonetes e velas aromáticas com essências de plantas amazônicas, promovendo um negócio de base sustentável. São utilizados os óleos vegetais de buriti, murmuru, andiroba, copaíba, patuá e açaí.

Projeto Quelônios do Juruá: Eu Protejo!
As espécies de quelônios, como tracajá, tartaruga-da-amazônia e iaçá, habitam a região do rio Juruá e suas praias, porém, pela ação humana, são animais que vivem em constante ameaça. A SOS Amazônia, desde 2003, promove o manejo comunitário dessas espécies, para proteger e aumentar suas ocorrências na região.

As ações são realizadas nas Reservas Extrativistas do Alto Juruá, Riozinho da Liberdade e na Comunidade Carlota. As atividades envolvem treinamento para manejo das espécies e também dinâmicas de educação ambiental em escolas próximas, para envolver a comunidade, especialmente, a juventude.

Projeto Monitoramento de Felinos
Como parte das ações de monitoramento de fauna, o projeto de Monitoramento de Onça-Pintada faz um acompanhamento da espécie em unidades de conservação, em parceria com agentes ambientais locais. A ação é fundamental para proteger o maior felino das Américas, identificar áreas de ameaça, entender seus comportamentos e promover a conservação da espécie. Além da onça pintada, também são registradas outras espécies da floresta e sua participação no ecossistema.

Projeto Observatório Socioambiental do Acre
Com o olhar voltado para o monitoramento de políticas públicas de conservação ambiental, o Observatório Socioambiental do Acre foi criado após uma mudança nos governos estadual e federal, em 2019, que fragilizou ainda mais a política ambiental no Acre. Suas ações focam em monitorar iniciativas governamentais ou privadas, parlamentares, projetos de lei, entre outras que envolvam a conservação e gestão ambiental. Realiza também advocacy com outras lideranças de movimentos sociais, oferece apoio a jovens lideranças e difunde informações e análises sobre a agenda climática e ambiental.

Projeto Guardiões do Amanhã
Focado no público jovem, o projeto atua em escolas da rede municipal de Itacoatiara, região do Rio Arari, no estado do Amazonas, com a formação de agentes ambientais infanto-juvenis. O projeto promove a conscientização ambiental e empodera os alunos a atuarem em suas comunidades como protetores do meio ambiente.
Programa Valores da Amazônia
Cuidar da Amazônia é cuidar também de seus povos. O Valores da Amazônia é o programa que abrange projetos voltados para a conservação da paisagem e bem viver das comunidades amazônicas. Com um foco socioambiental, os objetivos envolvem proporcionar o desenvolvimento de habilidades para comunidades em condições de vulnerabilidade social, promover o protagonismo feminino e da juventude e fortalecer a cadeia produtiva da sociobiodiversidade.

Projeto Nossabio - Territórios Conservados
Alinhado à estratégia de fortalecer a governança territorial e ambiental na Amazônia, o projeto Nossabio fortaleceu a cadeia de valor de produtos da biodiversidade, como cacau nativo, borracha CVP, açaí, artefatos de madeira e ecoturismo. A atuação da iniciativa é feita por meio de oficinas e capacitações das famílias envolvidas, fornecimento de equipamentos, construção de estruturas físicas, além de proporcionar serviços como estudo de mercado e plano de manejo.

Um dos destaques do projeto foi a construção do Ateliê da Floresta, um espaço acalentada há muitos anos pela comunidade para a confecção de artefatos, móveis, artesanatos, utensílios domésticos e objetos de decoração produzidos a partir do resíduo de madeira encontrado no chão da floresta, com licença ambiental de manejo concedida pelo ICMBio. Localizado na Comunidade Rio Branco, na Resex Chico Mendes, em Xapuri, no Acre, o empreendimento foi inaugurado em junho de 2024.

Projeto Fitoterápicos da Amazônia
A SOS Amazônia, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, busca fortalecer o setor de plantas medicinais em organizações do bioma Amazônia. Ao todo, recebem apoio quatro organizações, localizadas nos estados do Amapá e Pará, que comercializam plantas medicinais ou derivados. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o projeto oferece assessoramento técnico e administrativo às organizações para ampliar as relações comerciais e conquistar a certificação agroecológica.

Projeto Mulheres da Borracha
Em um cenário dominado pela atuação masculina, foi idealizado o Mulheres da Borracha, com o objetivo de proporcionar às mulheres extrativistas o seu protagonismo e empoderamento. O projeto atua por meio de oficinas comunitárias com atividades e dinâmicas interativas que envolvem o estilo de vida das famílias produtoras de borracha. O primeiro ciclo ocorreu em municípios e áreas rurais do Acre e a segunda fase é realizada no estado do Amazonas.
Campanhas

SOS Reciclagem
Centrado na sede da SOS Amazônia em Rio Branco, Acre, o Local de Entrega voluntária (LEV) propõe que colaboradores, associados, vizinhos e simpatizantes destinem seus resíduos sólidos recicláveis para o local de coleta.

Soul Amazônia
Para oferecer resistência à destruição da floresta e fortalecer as atividades de manutenção da floresta em pé e restauração de áreas degradadas, lançamos a campanha Soul Amazônia, com a proposta de conectar pessoas que querem gerar um impacto positivo na floresta, como a conservação da biodiversidade e a valorização de comunidades tradicionais. A plataforma Soul Amazônia apresenta quatro planos de doação, que variam de 25 a 150 reais, e incluem o plantio de uma árvore em uma área de pastagem, que está em processo de restauração com o plantio de agrofloresta.

A campanha teve início no Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, e desde então tem ganhado visibilidade nas redes sociais com o apoio de artistas e personalidades ligadas à pauta ambiental, como as cantoras Zenaide Parteira e Patrícia Bastos, os ativistas Sergio Marone e Rogério Fernandes, e as atrizes Giovanna Antonelli, Bruna Linzmeyer, Carolina Kasting, Lucy Alves e Malu Mader.
Venha fazer parte do movimento de proteção e conservação da floresta em pé e sua biodiversidade! Nos apoie e doe agora.

Somos Amazônia.

Notícia Transparência