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Dia Mundial do Meio ambiente: Que caminho estamos tomando?

Nesta sexta-feira, 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Infelizmente, pouco temos a comemorar. A redução da poluição do ar e de alguns ambientes, por alguns dias, devido a pandemia, é algo pouco significante ainda diante do impacto que o ser humano tem causado à natureza.

Se observarmos o meio ambiente do nosso país, pelo olhar político, a condução dada pelo atual governo federal ameaça nossos biomas, pois as declarações do ministro e do presidente da república, passam a impressão, dentre outras constatações, de que estão incentivando as práticas ilegais de desmatamento e queimadas, seja na Amazônia, no Cerrado ou na Mata Atlântica.

Um outro motivo que impede comemoração esfuziante desse importante dia, vem de uma nota técnica publicada dia 26 de maio de 2020. Elaborada pelos pesquisadores Luiz Aragão, Celso Silva Junior, e Liana Anderson, ligados ao INPE e ao Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, com apoio do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, essa nota técnica indica que as águas do oceano atlântico encontram-se com temperatura elevada, a mais alta em toda série histórica, e que isso poderá significar um período de seca severa em 2020 no sudoeste da Amazônia, mais especificamente o Acre.

Tendo em vista o desmatamento elevado detectado de agosto/2019 a abril/2020, a previsão é de que, a depender da efetividade do trabalho de fiscalização e da prática dos que irão fazer queimadas, poderemos ter um 2020 com muitas queimadas descontroladas e incêndios florestais, o que aumentará a quantidade de fumaça no nosso meio ambiente.

Considerando que estaremos ainda, vivenciando uma etapa da pandemia, e que em época de queimadas aumenta o número de pessoas com problemas de asma, bronquite e falta de ar, é previsível maior pressão nos serviços de saúde e um possível colapso no atendimento.

Diante dos problemas ambientais que persistem e crescem, defendemos a ideia de que o dia mundial do meio ambiente deve servir para fazer alertas, denunciar a destruição da natureza feita pelo ser humano e incentivar as pessoas a verem que a natureza é muito frágil, diante de tanta insensatez e ações sem limites.

Da mesma maneira que temos de proteger e aperfeiçoar a democracia no ecossistema político, a gestão ambiental precisa estar fortalecida e operando para evitar que as ações ilegais causem danos irreversíveis ao meio ambiente e a natureza.

Temos de ser incansáveis nesse cuidado, cada um fazendo a sua parte. Precisamos reverter a tendência de destruição dos biomas naturais que a terra nos oferece: Cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica, mata de araucárias, floresta amazônica, a cada ano tem sua área natural de ocupação reduzida.

Da maneira que estamos fazendo e com a perda do conhecimento tradicional (já que poucos cultivam os hábitos de conhecer a natureza, muitos ignorando o que pais e avós diziam), teremos mais dificuldade para encontrar componentes na natureza que enfrentem vírus como o COVID-19, e pior será se mais pandemias vierem.

Essa é outra previsão que não temos como ignorar ou esconder, tendo em vista o pouco que o mundo faz para evitar a elevação do aquecimento global, e as mudanças climáticas, anunciadas há mais de 25 anos.

Lamentamos tal perspectiva, porém de maneira nenhuma seremos pessimistas com relação a crise ambiental que a humanidade vive atualmente.

Recomendamos também, que devido as circunstâncias com a pandemia do coronavírus, é oportuno refletir: com uma população de seres humanos tão grande e sociedades tão consumistas e despreocupadas com a finitude dos recursos naturais, sem interesse em ouvir e distinguir os cantos dos pássaros e ver a diversidade da vegetação, qual o meu papel na sociedade e o quanto eu faço para acabar essa destruição? Ou... será que devo deixar o nosso futuro e dos meus filhos ao que a ficção científica apresenta nos livros e nos filmes?


Miguel Scarcello

Opinião