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Quanto vale uma floresta em pé? SOS Amazônia lança campanha global para proteger 45 hectares de Floresta Amazônica

Notícia
Quanto vale uma floresta em pé? Para a SOS Amazônia, organização da sociedade civil com quase quatro décadas de atuação na conservação da Amazônia, seu valor vai muito além do manejo florestal: representa água, biodiversidade, estabilidade climática e qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.

Com esse propósito, a ONG acaba de lançar uma campanha internacional na GlobalGiving, uma das maiores plataformas mundiais de financiamento coletivo para projetos sociais e ambientais. A iniciativa busca arrecadar recursos para adquirir e preservar permanentemente uma área de 45 hectares de Floresta Amazônica, localizado no município de Capixaba, no Acre.

A área escolhida possui alta relevância ambiental. Além de abrigar fauna e flora nativas, ela protege uma nascente que desempenha um papel estratégico para a atuação da própria ONG. A nascente abastece o Viveiro SOS Amazônia, onde são produzidas cerca de 450 mil mudas de espécies florestais nativas destinadas à regeneração de áreas degradadas e ao fortalecimento de iniciativas de recuperação ambiental em diferentes regiões do Acre.

“Preservar essa nascente significa, portanto, garantir não apenas a conservação de um importante recurso hídrico, mas também a continuidade de um trabalho que contribui diretamente para a regeneração de ecossistemas”, explica Suzy Anne, coordenadora do Viveiro SOS Amazônia.
A proposta é transformar a área em um patrimônio permanente da conservação, impedindo seu desmatamento e garantindo que a floresta continue cumprindo seu papel na regulação do clima, na proteção da biodiversidade e na conservação dos recursos hídricos. A iniciativa ganha ainda mais relevância por estar diretamente ligada ao Viveiro SOS Amazônia, localizado em uma das regiões mais degradadas do Acre, onde extensas áreas de floresta deram lugar a pastagens e monocultivos, especialmente de soja, com uso intensivo de defensivos agrícolas.

"O avanço do desmatamento mostra que proteger a Amazônia exige ações concretas e permanentes. Ao garantir a conservação dessa área, estamos preservando espécies selvagens, a água, o estoque de carbono e contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas. É uma oportunidade para que pessoas de qualquer parte do mundo participem diretamente dessa solução", destaca Miguel Scarcello, secretário-geral e cofundador da SOS Amazônia.
Sensibilização ambiental
Ao contrário de campanhas voltadas para ações emergenciais, o projeto oferece um impacto de longo prazo. Além da proteção permanente da floresta, a iniciativa prevê o desenvolvimento de atividades de ecoturismo, observação de aves e pesquisas científicas, promovendo a valorização do patrimônio natural, a produção de conhecimento sobre a Amazônia e novas oportunidades de conexão entre as pessoas e a floresta em pé.

"Quando a gente respira fundo na floresta, observa uma ave, escuta os animais pela manhã ou os sapos à noite, a gente sente na prática o que a floresta oferece. Ar fresco, sombra, beleza, equilíbrio e bem-estar. Mas a floresta não tem valor apenas pelo que ela nos entrega. Ela tem valor por existir. Cada árvore, cada animal e cada relação ali dentro fazem parte de uma rede de vida. A nossa aspiração é que essa área seja um espaço de reconexão entre pessoas e natureza, unindo conservação, ciência, educação e saberes tradicionais. E que isso inspire mais pessoas a proteger a floresta, não só por ela, mas pelo bem coletivo da humanidade", reflete o biólogo Luiz Borges, coordenador de projeto na SOS Amazônia.

Em um cenário em que a Amazônia ocupa o centro das discussões globais sobre clima e biodiversidade, iniciativas como essa demonstram que a proteção da floresta também pode acontecer por meio do engajamento direto da sociedade. Cada contribuição ajuda a transformar uma área vulnerável em um território permanentemente protegido.