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Samaúma: a árvore que conecta floresta, água e vida

Notícia
Majestosa e imponente, a samaúma (Ceiba pentandra) impressiona quem tem a oportunidade de encontrá-la na floresta. Ela pode alcançar até 60 metros de altura, com uma copa ampla e frondosa que se projeta acima das demais árvores.

Por sua dimensão e importância para o ecossistema, é conhecida por nomes como “Árvore Mãe” e “Rainha da Floresta”. E não é difícil entender o porquê: sua presença oferece abrigo e suporte para diversas espécies de plantas e animais, tornando-a parte importante da dinâmica da floresta.
Uma árvore que se transforma
Ao longo de sua vida, que pode ultrapassar cem anos, a samaúma passa por diferentes fases e desenvolve estratégias para sobreviver às condições da floresta.

Nos primeiros anos, seu caule é protegido por grandes espinhos, que ajudam a evitar a ação de animais herbívoros. À medida que cresce e desenvolve maior resistência, esses espinhos desaparecem gradualmente.

Durante o verão amazônico, período marcado pela estiagem e pela redução das chuvas, a samaúma também perde suas folhas. Com os galhos mais secos e descobertos, a árvore reduz a perda de água e concentra sua energia em estruturas essenciais, como as raízes.

Gigante também debaixo da terra
Se a copa chama atenção pela altura, as raízes impressionam pela dimensão.

A samaúma desenvolve grandes raízes achatadas, chamadas sapopemas, que podem alcançar vários metros de extensão para fora do solo. Elas ajudam a dar sustentação à árvore e participam da absorção e do transporte de água e nutrientes.

As sapopemas também fazem parte da vida da floresta de outras maneiras. Sua estrutura oferece abrigo e suporte para diferentes organismos, enquanto a copa cria um ambiente utilizado por aves, insetos e outras espécies.
Uma árvore que ajuda a movimentar a água
A importância ecológica da samaúma vai ainda mais longe.

Estima-se que uma árvore adulta tenha capacidade de liberar mais de mil litros de água por dia na atmosfera, por meio do processo de transpiração.

Essa água se transforma em vapor e passa a integrar a circulação de umidade na atmosfera, contribuindo para a formação dos chamados “rios voadores”, isto é, grandes fluxos de vapor d’água que ajudam a transportar umidade e influenciam os regimes de chuva em diferentes regiões do Brasil. Ou seja, uma árvore que cresce dentro da floresta também participa de processos que acontecem muito além dela.
O telefone da floresta
A relação com a samaúma também permeia a cultura dos povos da floresta.

As grandes sapopemas podem produzir sons que ecoam por longas distâncias quando são golpeadas. Esse recurso foi tradicionalmente utilizado como forma de comunicação, dando origem à ideia de que a samaúma seria um “telefone da floresta”.

Uma árvore entre mundos
Para diferentes povos indígenas, a samaúma também carrega significados espirituais. Em algumas tradições, sua grandeza e sua conexão entre diferentes planos fazem dela uma árvore associada à comunicação entre o mundo dos humanos e o universo espiritual.

Mais do que uma gigante da floresta, a samaúma é, portanto, parte de uma rede de relações que envolve água, solo, clima, biodiversidade, cultura e vida.

Neste Dia da Árvore, olhar para uma samaúma é também lembrar que, quando uma árvore permanece em pé, muitas outras formas de vida permanecem com ela.