Restaurar áreas degradadas, fortalecer a produção rural e gerar novas oportunidades de renda para agricultores familiares. Esses são alguns dos objetivos do Projeto Árvore-Ser, que iniciou sua fase de implementação com a realização de um seminário de alinhamento institucional e mobilização comunitária, realizado no dia 1º de julho, reunindo representantes de órgãos públicos, organizações parceiras e lideranças de assentamentos da reforma agrária do Acre.
O encontro marcou o início das ações do projeto, que será desenvolvido ao longo de quatro anos e prevê a restauração produtiva de 300 hectares, beneficiando 200 famílias nos municípios de Acrelândia, Bujari e Senador Guiomard. A iniciativa é realizada pela SOS Amazônia, em parceria com Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), por meio do Fundo Amazônia (BNDES), e aposta na recuperação ambiental aliada ao fortalecimento da agricultura familiar.
“A realização do seminário de apresentação do projeto foi um momento extremamente importante para dar início a essa iniciativa de forma participativa e transparente”, afirma Suzy Anne Araújo, coordenadora do projeto pela SOS Amazônia. Ela acrescenta que o encontro também foi uma oportunidade de escuta da comunidade. “Essa troca fortalece o projeto e garante que as ações estejam alinhadas às necessidades dos assentamentos”, diz a coordenadora.
Mais do que recuperar a vegetação, o Árvore-Ser busca construir sistemas produtivos mais resilientes, diversificar a produção agrícola, proteger nascentes, ampliar a geração de renda, fortalecer organizações comunitárias, com ênfase na participação de jovens e mulheres. O projeto também prevê apoio à comercialização da produção por meio de mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Durante o seminário, representantes da SOS Amazônia apresentaram os objetivos, as metas e a metodologia do projeto, além de promover um amplo diálogo com associações, cooperativas, sindicatos, Incra, Emater e prefeituras. As lideranças dos assentamentos Walter Arce e Porto Luiz I participaram de um diagnóstico participativo, identificando potencialidades, desafios e prioridades para a implementação das ações em seus territórios.
Um dos principais resultados do encontro foi a manifestação de interesse das associações e cooperativas presentes em participar do projeto. As organizações assumirão papel estratégico na mobilização das famílias, na articulação comunitária e no acompanhamento das atividades de restauração, enquanto as famílias beneficiadas participarão do planejamento, do plantio, das capacitações e do monitoramento das áreas restauradas.
A restauração será realizada por meio de diferentes estratégias, como Sistemas Agroflorestais (SAF), semeadura direta de sementes nativas e enriquecimento com a técnica de Regeneração Natural Assistida (RNA). Além do plantio, o projeto prevê assistência técnica continuada, oficinas participativas, intercâmbios, formação de grupos de mulheres coletoras de sementes, brigadas de prevenção às queimadas e monitoramento das áreas ao longo dos quatro anos de execução.
O seminário também permitiu levantar desafios importantes para os assentamentos, como áreas embargadas, degradação do solo, escassez de água, queimadas recorrentes e dificuldades de acesso à assistência técnica e ao crédito rural. Essas informações servirão de base para o planejamento das próximas etapas do projeto, garantindo que as estratégias de restauração sejam adaptadas à realidade de cada território.
Como próximos passos, a SOS Amazônia realizará reuniões abertas nas comunidades para apresentar o projeto às famílias interessadas, iniciar os cadastros socioeconômicos e ambientais e definir, de forma participativa, as áreas que integrarão as primeiras ações de restauração.
Ao conectar conservação ambiental, fortalecimento comunitário e produção sustentável, o Projeto Árvore-Ser pretende demonstrar que restaurar a floresta também significa investir na qualidade de vida das famílias que vivem e produzem na Amazônia.