A exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas voltou ao centro do debate após o Ibama conceder autorização à Petrobras para a realização de pesquisa exploratória na região. A decisão foi tomada em outubro de 2025, poucos dias antes do início da COP30, realizada em Belém, o que intensificou as críticas ao governo federal.
O processo de licenciamento tramitava no Ibama desde 2013. Em 2025, recebeu autorização para a perfuração exploratória do bloco FZA-M-059, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, em área de mar aberto e águas profundas. A permissão representa mais um passo rumo à possível aprovação definitiva da exploração na Bacia da Foz do Amazonas, o que, segundo especialistas, pode comprometer a integridade ambiental e a biodiversidade local.
A área é considerada ambientalmente sensível e rica em biodiversidade. Ali se encontra o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, descoberto recentemente e ainda em fase de estudo por cientistas. A região também abriga o maior corredor contínuo de manguezais do planeta, fundamental para a manutenção da fauna e da flora e para a subsistência das populações costeiras que dependem diretamente desses ecossistemas.
A geógrafa e mestra em desenvolvimento territorial da América Latina e Caribe, Daniela Dias, destaca os impactos socioambientais da atividade. Segundo ela, a bacia ainda é pouco estudada do ponto de vista ecológico e apresenta características que ampliam os riscos: “É uma região com um sistema recifal riquíssimo e com fortes correntes marítimas. Em caso de acidente durante a perfuração, estaríamos falando de um possível derramamento de óleo em uma área com fauna e flora extremamente diversas”, explica.
No âmbito social, Dias acrescenta que a região é formada majoritariamente por populações tradicionais. Para ela, um eventual acidente poderia gerar um efeito em cadeia devastador: “Estamos falando de pessoas que podem perder sua principal fonte de alimentação e de sobrevivência”.
Outro ponto levantado é a contradição entre a expansão da exploração de petróleo e os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, que prevê esforços para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e, consequentemente, a dependência de combustíveis fósseis. Na avaliação de Daniela Dias, trata-se de um discurso incoerente: “É preciso definir prioridades, especialmente quando falamos de conservação da biodiversidade”, afirma.
A promessa de desenvolvimento econômico e social também é questionada. O projeto Até a Última Gota, da InfoAmazonia, aponta que outras regiões amazônicas — inclusive em países vizinhos onde o bioma se estende — não experimentaram os benefícios prometidos após décadas de exploração petrolífera. Segundo as pesquisas, mais de 50 anos de atividade resultaram principalmente em aumento das desigualdades sociais e degradação ambiental.
As preocupações com possíveis vazamentos ganharam força no início de janeiro de 2026, quando a Petrobras confirmou um vazamento de fluido de perfuração. Embora a empresa tenha informado que o material é biodegradável e não provoca impactos ambientais significativos, o episódio reforçou o alerta sobre a vulnerabilidade da região diante da atividade petrolífera.
Em nota, a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) afirmaram que o incidente evidencia os riscos da exploração. “A atividade petrolífera em nossa costa é uma ameaça aos ecossistemas marinhos e costeiros dos quais nossos povos, especialmente os do Oiapoque, dependem para sua subsistência física e cultural”, destacaram as organizações.
O processo de licenciamento tramitava no Ibama desde 2013. Em 2025, recebeu autorização para a perfuração exploratória do bloco FZA-M-059, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, em área de mar aberto e águas profundas. A permissão representa mais um passo rumo à possível aprovação definitiva da exploração na Bacia da Foz do Amazonas, o que, segundo especialistas, pode comprometer a integridade ambiental e a biodiversidade local.
A área é considerada ambientalmente sensível e rica em biodiversidade. Ali se encontra o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, descoberto recentemente e ainda em fase de estudo por cientistas. A região também abriga o maior corredor contínuo de manguezais do planeta, fundamental para a manutenção da fauna e da flora e para a subsistência das populações costeiras que dependem diretamente desses ecossistemas.
A geógrafa e mestra em desenvolvimento territorial da América Latina e Caribe, Daniela Dias, destaca os impactos socioambientais da atividade. Segundo ela, a bacia ainda é pouco estudada do ponto de vista ecológico e apresenta características que ampliam os riscos: “É uma região com um sistema recifal riquíssimo e com fortes correntes marítimas. Em caso de acidente durante a perfuração, estaríamos falando de um possível derramamento de óleo em uma área com fauna e flora extremamente diversas”, explica.
No âmbito social, Dias acrescenta que a região é formada majoritariamente por populações tradicionais. Para ela, um eventual acidente poderia gerar um efeito em cadeia devastador: “Estamos falando de pessoas que podem perder sua principal fonte de alimentação e de sobrevivência”.
Outro ponto levantado é a contradição entre a expansão da exploração de petróleo e os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, que prevê esforços para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e, consequentemente, a dependência de combustíveis fósseis. Na avaliação de Daniela Dias, trata-se de um discurso incoerente: “É preciso definir prioridades, especialmente quando falamos de conservação da biodiversidade”, afirma.
A promessa de desenvolvimento econômico e social também é questionada. O projeto Até a Última Gota, da InfoAmazonia, aponta que outras regiões amazônicas — inclusive em países vizinhos onde o bioma se estende — não experimentaram os benefícios prometidos após décadas de exploração petrolífera. Segundo as pesquisas, mais de 50 anos de atividade resultaram principalmente em aumento das desigualdades sociais e degradação ambiental.
As preocupações com possíveis vazamentos ganharam força no início de janeiro de 2026, quando a Petrobras confirmou um vazamento de fluido de perfuração. Embora a empresa tenha informado que o material é biodegradável e não provoca impactos ambientais significativos, o episódio reforçou o alerta sobre a vulnerabilidade da região diante da atividade petrolífera.
Em nota, a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) afirmaram que o incidente evidencia os riscos da exploração. “A atividade petrolífera em nossa costa é uma ameaça aos ecossistemas marinhos e costeiros dos quais nossos povos, especialmente os do Oiapoque, dependem para sua subsistência física e cultural”, destacaram as organizações.